Homem acusado de roubar R$ 20 é condenado a 5 anos de prisão

Setembro 17, 2008
A família e a defesa de Cleiton Aparecido alegam a inocência dele.
Assalto teria sido cometido por amigos da vítima, no ABC, em 2007.

Irmão e mãe de jovem preso lutam para provar a inocência dele; Por causa de R$ 20, Cleiton Aparecido Lima Celso, de 19 anos, está em um presídio do interior do estado de São Paulo e foi condenado a cinco anos de prisão. Divide a cela com outros 19 homens e jura ser inocente. No dia 18 de setembro de 2007, foi preso, acusado de ter participado do assalto a uma mulher em São Bernardo do Campo, no ABC. À polícia, a vítima contou que reconheceu Celso “pela cor da cútis e pela compilação física”, segundo consta nos autos do processo ao qual o G1 teve acesso.

O assalto ocorreu por volta de 20h30, na Avenida Senador Vergueiro. Marcelo e Pedro (nomes fictícios), amigos de Celso, estavam em um Uno Verde e abordaram a mulher que estava a pé, em frente a uma universidade. Com medo, ela jogou R$ 20 da bolsa e correu. Conseguiu anotar a placa do Uno e repassou à polícia. Quando os policiais avistaram o carro em uma praça de São Bernardo, Celso já estava dentro dele.

“O Marcelo deixou o Pedro em casa e, em seguida, deu carona para o Celso porque eles iam sair com umas amigas, mas não comentou sobre o assalto”, conta o advogado do preso, Luciano Cesar Pereira. Ele vai tentar junto ao Supremo Tribunal Federal anular a sentença e libertar Celso (as outras liminares foram negadas nas instâncias inferiores). Para ele, houve “cerceamento da defesa” porque Pedro não foi ouvido durante o processo. A sentença saiu em março deste ano e a pena foi estabelecida em 5 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão.

Reconhecimento

O advogado explica que, no julgamento, Marcelo apontou Pedro como autor do assalto, mas, como o nome do rapaz surgiu depois do prazo para a convocação de testemunhas, Pedro não foi chamado. O dinheiro pego no crime seria usado para pagar uma dívida de droga. “Ela (a juíza) se negou a ouvi-lo”.

Na época, Pedro era menor de idade e a família de Celso informa que ele não mora mais na região depois que o caso foi parar nos jornais. O advogado ressalta que no dia do crime “estava escuro, o carro tinha vidros escurecidos” e “não seria possível” reconhecer Celso. “Ela (a vítima) disse que viu apenas um braço”.

Na casa de Celso, revolta. “Dá a impressão de que meu filho foi preso pela cor. Eu sei o jeito que criei meus filhos. Eles não precisam roubar”, conta o pai de Celso, o desempregado Jair Perpétuo Celso, 57. Em seu depoimento, Marcelo, que estava com Pedro na hora do assalto, chegou a afirmar para a juíza a inocência do amigo. “O co-réu Cleiton é inocente”, disse ele, segundo as informações do processo. O G1 tentou entrar em contato com o promotor do caso, mas não obteve retorno dos recados deixados.

Pedido de desculpas

O próprio Pedro, logo que soube da prisão dos dois, teria deixado um recado em um site de relacionamento pedindo desculpas para Celso. Na estante da casa de Celso, no bairro Taboão, ainda está a foto do jovem abraçado a Marcelo. A família conta que os dois cresceram juntos. Hoje, nem dividem mais a mesma cela.

“Meu irmão é muito correto. Disse que a prisão é um inferno”, diz Jeferson Carlos de Lima, 25. Abraçada às faixas onde pede “justiça”, a mãe do jovem que completará 20 anos em outubro, chora. “Quero que soltem o meu filho. Todo mundo já sofreu bastante. Quero Justiça”, pede a costureira Sônia Regina Lima Celso, de 53 anos, que, com o sofrimento, diz ter abandonado as linhas e agulhas.
Fonte: G1

Ou seja… mais um na escola de bandidos… mesmo que ele seja inocente… sairá de lá treinado para ser um bandido… espero que ele escolha ficar só com o conhecimento e não colocá-lo em prática.

  • Câmeras digitais
  • NoteBooks
  • Ganhe Dinheiro apenas para receber SMS